Saturday, July 19, 2008

"As pessoas voltarão a comprar livros" Ser editor, hoje

"As pessoas voltarão a comprar livros." Li esta frase ou ouvi? Ela é uma esperança.

Hoje, vemos nas feiras (adoro largar tudo e ir às feiras de livros, para comprar e sobretudo vender livros que fizemos), na universidade (eventos universitários) ou fora delas, nas Primaveras do Rio e de São Paulo, em qualquer pontinho onde se possa montar a mesa com livros, e os passantes param (a interação do folhear e conversar). O editor cara a cara com o seu público. Livros, autores e público. Os poetas mortos todos vivos em seus livros interagindo com seu público "em termos de posteridade", para usar uma expressão de Antonio Candido, em seu livro Literatura e Sociedade.

Acabo de voltar da feira da ABRALIC - Associação Brasileira de Literatura Comparada, na USP. Não ocorreu aquele movimento da Festa do Livro de novembro, quando todos os alunos estão presentes. Mas é bom ver chegando pessoas de toda parte, de Norte a Sul do Pais, do Oeste e do Leste, do Nordeste, bem diante de nossas mesas. Levam livros e se lembrarão dos editores. Dali parte o efeito multiplicador, mais tarde teremos notícias e de alguns já guardamos os nomes. Isto é festa. O lado sorridente do ofício.

Bom teria sido ir também à feira de livros da SBPC, este ano realizada no ginásio da Unicamp, um local de boas lembranças, mas que adotou um dos defeitos predadores de algumas feiras de livros: cobrar alto pelos estandes. Soube que o preço de um estande de 12 metros na feira da SBPC custaria R$3.200,00. É um impedimento para os editores independentes, que somos pequenos e temos apenas nossas mãos, uma cabeça e livros. Houve outrora a festa do livro na Unicamp, onde espalharam sólidas mesas em que expusemos livros. E foi uma alegria, nossos livros como protagonistas de uma festa para todos. Precisam voltar a prestigiar os livros, não a desnecessária indústria dos estandes, naquele espaço tão amplo e belo da Unicamp, bom para os livros, as grandes mesas e as pessoas todas. Isto sim será grande avanço. Os estandes caríssimos são um retrocesso. Se dividimos pequenos espaços do estande com outras editoras, ninguém consegue mostrar direito o seu catálogo. Público e editora (autores junto) saem prejudicados.

"Livros na mesa", um livro de Carpeaux, quer coisa melhor para uma feira de livros. Parabéns à Edusp por não cair no conto dos estandes. Parabéns ao Márcio Pelozzi pela democrática feira da ABRALIC, no histórico saguão da Geografia História da USP.

Que a Unicamp nos acolha de volta, sobretudo os editores independentes, na sua bela festa com mesas e livros na mesa. A indústria dos estandes não pode massacrar o trabalho dos editores, pelo preço que cobram, é um dano ao acesso democrático à bibliodiversidade.

Espero que a Unicamp não se zangue comigo ao me ver obrigada a fazer esse tipo de comentário. Pois uma vez que numa troca de e-mails entre funcionária da Musa e funcionária da Unicamp (em feira de livros do ano passado) numa reivindicação de rotina (talvez a funcionária da Musa tenha errado a mão ao afirmar algo impensável e a da Unicamp tenha também errado a mão em responder de forma certamente truculenta), eu fiz uma intervenção cobrando polidez. Fui mal-interpretada por apenas querer polidez, pois acho muito feio ameaças mútuas, coisas dessas firmas de "assessoria". O diretor da Editora, que não sei o nome, nem citaria seu nome, por discrição, foi complacente com a funcionária, em vez de alertá-la pela incoveniência da linguagem adotada, voltando-se contra mim, eu, esta chata, que gosto de elegâncias mesmo. No meu caso, nunca sou complacente com meus funcionários, imponho-lhes códigos de boa conduta, por que não de ética, muito melhor, de estética? Foi após o Cole, aonde gosto de ir e nutro afeição por seus organizadores históricos.

Para a Feira da SBPC nem me enviaram e-mail oferecendo estande. Soube do preço por terceiros. Alguns terceiros que não foram. A presença de uma ampla bibliografia numa feira em campus universitário é mais importante, deve-se dar protagonismo ao sortimento de livros, não aos estandes. Livros nas sólidas mesas da Unicamp, por favor.

0 Comments:

Post a Comment

<< Home