Sunday, January 17, 2010

Ofensas

Ando preocupada com a troca de ofensas, operada entre pares, nem sempre sob o aspecto de truculências verbais, mas de truculências morais, desqualificações da ética,falta de escrúpulos, "receptações" sem consulta ao colega editor de traduções alheias,omissões, descaso com os assuntos relevantes,a cegueira mais comezinha em se tratando de ter olhos de justiça. Aparentemente, os mais avançados, agimos como predadores, panelistas e cegos. Quem consegue ver, ao dizer, apanha dos próprios pares. "Foi proclamada a escravidão." No Centenário de Joaquim Nabuco, temos de começar a lutar de novo pela Abolição. Escravos que somos do apagão ético. Tudo é subterfúgio para a esculhambação bem arranjada. Há muito tempo, brinco com versos, estes, eu os achei entre escritos "velhos", para hoje valem mais. Estão novíssimos.



Ofensa indigesta


Fazer o texto com agulha fina A renda
teço com meus gritos Abafá-los
em lúdica trama, no silêncio


Sei que adoeço e resisto
[Sei a dor deste luto e resisto]
Incomodar amigos, o visitante
Eu me guardo no leito, até que passe
Vinda a cura, possa levantar-me

Servi-los na sala Ir ao baile
era outrora, hoje saímos para dançar

Adoeço por qualquer rudeza
Hoje estou doente


Sem pontuação

Não me obrigue a nada A comprar
o que não possa comprar Não me
agrade por qualquer interesse
Não me assedie Eu sou planta
com muitas florescências Deixe-me
em paz para cumprir meu ciclo
até a hora da festa Uma cilada
para meus nervos, não faça

Eu direi a hora pronta para jantar


Meu querido, eu apanhei
Bilhete

A dor é uma agulha fina na pele Macio
que abrigou o roçar desses pelos
Você não está aqui e ousaram
falar comigo de um modo mais ríspido
Você não está aqui para me entender
Eu agora derramo lágrimas

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