Tuesday, January 12, 2010

São Paulo é meu eixo e as Avaliadoras de Lorena

Chego a São Paulo. Minha casa. Encontro meu eixo. Eu me movo ao desempenho.

Mesmo que eu não queira. São Paulo é meu eixo. Busco um pouso em algum lugar das "terras altas da Mantiqueira", placas eu via pelo caminho. Ficar aqui e estar lá. Eis a decisão, eu quero, estou perseguindo, se puder.

A Editora precisa sair para criar seu público, uma revolução de ofertas além dos óbvios livros para as pessoas do interior. As coordenadoras de prefeituras do interior. Conquistá-las para a bibliodiversidade.

Estando em Minas, aceitei o convite do Rogério Costa, para sua tradicional festa de reveillon, em Lorena, Vale do Paraíba. Fui passear pela rua e a chuva me pegou. Lá comprei uma sombrinha multicolorida, um guarda-chuva enorme, com todas as cores do arco-íris. Tudo é muito divertido, ver a bela Lorena antiga, entrar na sua catedral, pedir à Nossa Senhora da Piedade, mas o grave vem agora.

Escolhas de livros pela prefeitura local e duas irmãs coordenadoras dessas compras municipais. Um ano antes, estando eu nesta mesma cidade, para o mesmo reveillon, sabendo por uma professora, convidada da festa, das futuras compras de 2009 para as Bibliotecas de Escolas Municipais de Lorena, deixei os dois livros que tinha à mão, para que fossem apresentados como alternativas e novidade que são (literatura é sempre novidade, nem fui eu quem disse, mas Ezra Pound no "ABC da Literatura" --Cultrix--): "O Sapo Apaixonado: uma história inspirada em uma narrativa indígena" e "O Elefante Infante", do Rudyard Kipling. Perguntei à mesma convidada sobre a reação das avaliadoras, duas irmãs no cargo: elas acharam os autores desconhecidos e preferiram a comodidade dos livros de um autor óbvio e repetidamente escolhido, que tem seu mérito, é claro (não se trata do Ziraldo, não), a povoar as estantes com a novidade de um Prêmio Nobel que escreveu também para crianças e com um poeta que descobriu numa lenda indígema a semelhança com uma lenda popular do Sul de Minas, que ouvia em sua terra natal, Borda da Mata, ao ler as narrativas do livro que reúne narrativas sobre os indios Gavião, "Couro do Espíritos" organizado por Betty Mindlin, Digüt Tsorobá e Sebrop Catarino e outros narradores Gavião (Editora Terceiro Nome/Senac).

Meu Deus, precisamos abrir a cabeça das avalidadoras neste belo interior do Brasil para a bibliodiversidade, sem esse apego cabeça-dura a leiturinhas e modismos. Não somente para os livros que levei do catálogo da Musa, vale esta chamada à bibliodiversidade também para todos os bons livros dos catálogos editoriais, sobretudo os catálogos das editoras independentes, grandes, médias ou pequenas.

Não vou citar os nomes das avaliadoras de Lorena (mas a professora, a meu pedido anotou-os em minha agenda, pois pretendo visitá-las eu mesma, como visitei a livraria Nobel de Itajubá, assunto para outro comentário). Pretendo pessoalmente convidá-las a folhear e olhar com novos olhos os novos livros que recebem, não basta mais para todos nós, nem editar, nem comprar moda de ouvido, como um eterno repeteco. Não se trata de um convite a desprezar o consagrado ou o mais popular, mas diversificar os acervos municipais das escolas e bibliotecas municipais, inovando-os. Informar-se pelo próprio livro que recebem, lendo-o desde a capa, textos, ilustrações, orelhas e prefácios. "Eu não conheço", pois vamos conhecer. Os novos e os consagrados autores da literatura universal, como o Prêmio Nobel Kipling. E muitos mais.

Não é porque não conhecemos é que o autor seja desconhecido. Pois vamos tentar conhecer, abrindo-se para a boa literatura, que é sempre novidade.

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